Existe segunda chamada do Enem, mas não com esse nome nem com essas regras. O Inep chama de reaplicação, e ela só vale para duas situações específicas do edital: doença infectocontagiosa de uma lista fechada ou problema logístico comprovado durante a prova. Passar mal por nervosismo, perder o ônibus ou esquecer o horário não entram nessa porta.

Este artigo separa o que o Edital nº 64/2026 (Inep) realmente garante do que é lenda de corredor de cursinho. Sem prometer prazo que o edital deixa “a ser divulgado”. As provas do Enem 2026 são em 8 e 15 de novembro (item 1.3); a segunda chamada do Enem, se você tiver direito a ela, vem depois, em data que o Inep ainda vai anunciar.

Anatomia

Anatomia do pedido de reaplicação

MotivoDoença infectocontagiosa da lista fechada do edital ou problema logístico comprovado no local de prova.

Covid-19, sarampo, varicela e as demais doenças do item 13.1.1 — ou falha de energia elétrica na sala.

Documento comprobatórioNome completo, diagnóstico ou CID 10/11, e assinatura com registro profissional (CRM, RMS ou órgão equivalente).

Para reaplicação, o documento também precisa ter a data que cubra o dia de aplicação do Enem.

Onde e quando enviarSó pela Página do Participante, no período que o Inep divulga separadamente — fora dali, não é aceito.

enem.inep.gov.br/participante

ResultadoConsultado na própria Página do Participante. Existe uma única reaplicação; quem faz as duas provas fica com a nota da reaplicação (item 15.12).

Segunda chamada do Enem tem outro nome: reaplicação

Vestibular tradicional tem segunda chamada. A segunda chamada do Enem existe na prática, mas o edital não usa esse termo — o edital fala em reaplicação, e o item 13.1 é direto: o Inep possibilita o direito a quem “tenha prejuízo comprovado durante a aplicação das provas” ou a quem foi “acometido por uma das doenças infectocontagiosas” listadas no próprio edital.

A diferença entre o nome popular e a regra não é só de vocabulário. Segunda chamada, no imaginário comum, cobre qualquer motivo justificado — atraso, imprevisto familiar, mal-estar leve. A segunda chamada do Enem, a reaplicação, cobre só duas hipóteses, e as duas exigem comprovação documental. Quem chega atrasado sem nenhuma das duas condições simplesmente perde o dia de prova, sem direito a repetir.

As duas situações que dão direito à segunda chamada do Enem

A primeira é doença infectocontagiosa, prevista no item 13.1.1. A segunda é problema logístico durante a aplicação. O item 13.1 cita “fatores como” desastres naturais que comprometam a infraestrutura do local, falta de energia elétrica que prejudique a visibilidade da prova por ausência de luz natural e erro de execução do procedimento de aplicação que cause prejuízo comprovado. São exemplos: o que decide é o prejuízo comprovado na aplicação.

Reparar no detalhe: “prejuízo comprovado”. Não é o candidato que decide se teve prejuízo — é o Inep, depois de analisar a solicitação e os documentos anexados (item 13.3). Chegar atrasado por trânsito, por exemplo, não é problema logístico do local de prova; é imprevisto do candidato, e o edital não cobre isso.

segunda chamada do enem sendo conferida por cima do ombro de um estudante olhando a Página do Participante no notebook

Doença infectocontagiosa: a lista fechada do edital

O item 13.1.1 nomeia as doenças que dão direito à reaplicação sem o candidato precisar comparecer ao local:

  • Tuberculose
  • Coqueluche
  • Difteria
  • Doença invasiva por Haemophilus influenzae
  • Doença meningocócica e outras meningites
  • Varíola e varíola dos macacos (Mpox)
  • Influenza humana A e B
  • Poliomielite por poliovírus selvagem
  • Sarampo
  • Rubéola
  • Varicela (catapora)
  • Covid-19

É aqui que a segunda chamada do Enem mais acontece. Quem está com uma dessas doenças na semana que antecede o primeiro ou o segundo dia de prova não deve ir ao local de aplicação — e deve solicitar a reaplicação (item 13.1.1, combinado com 13.2). Gripe comum, virose sem diagnóstico fechado ou enxaqueca não estão na lista. Se o quadro não tem nome nessa relação, o caminho é outro: tentar o atendimento especializado por caso fortuito, previsto no item 4.12, que também depende de documento e de análise de disponibilidade pelo Inep — e não garante reaplicação automática.

Um exemplo de como isso funciona na prática: um participante recebe diagnóstico de covid-19 na quinta-feira, e o primeiro dia de prova é no domingo seguinte. O documento do profissional de saúde precisa trazer o nome completo, o diagnóstico ou o CID, a assinatura com registro no CRM ou RMS, e — só para efeito de reaplicação — uma data que cubra o dia da prova perdida (item 13.1.1.2). Sem esse último campo, o pedido é analisado como incompleto, mesmo que a doença esteja na lista.

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Problema logístico: o que conta e o que não conta

Reler o item 13.1: os exemplos do edital são desastre natural que comprometa a infraestrutura do prédio, falta de energia que prejudique a visibilidade da prova e erro no procedimento de aplicação com prejuízo comprovado. O ponto comum é que o problema acontece na aplicação, não no caminho até ela. Um exemplo de erro de procedimento seria a sala receber menos tempo de prova do que o edital garante, ou o fiscal entregar caderno de questões errado.

Um cuidado anterior evita parte desses problemas: consultar o local de prova do Enem com antecedência e fazer o trajeto antes. Atraso não dá direito a segunda chamada do Enem.

O item 13.2.2 cobre um caso prático: quem foi afetado por problema logístico no primeiro dia deve comparecer normalmente no segundo dia e só então solicitar a reaplicação do dia perdido. Não dá para simplesmente faltar ao primeiro dia por causa de um problema e já considerar a reaplicação garantida — a etapa de comparecer no dia seguinte faz parte da regra.

O que dá direito e o que não dá — lado a lado

A tabela abaixo resume quem tem direito à segunda chamada do Enem nas situações mais perguntadas, cruzadas com o item do edital que decide cada caso:

SituaçãoDá direito à reaplicação?Por quê (item do edital)
Covid-19 diagnosticada dias antes da prova, com atestado e CIDSim13.1.1 — está na lista fechada
Gripe forte, sem diagnóstico fechado em atestadoNãoFora da lista do 13.1.1; tentar 4.12 (caso fortuito)
Falta de energia elétrica que prejudica a leitura da provaSim, se comprovado13.1 — problema logístico
Atraso por trânsito ou transporte públicoNãoO problema não ocorreu na aplicação (13.1)
Passar mal na sala, sair e não conseguir voltarNão13.5 — fecha essa porta especificamente
Atestado sem CID ou sem data do dia da provaPedido indeferido4.2.3 e 13.1.1.2 — documento incompleto

Como montar o documento comprobatório

Na segunda chamada do Enem por doença, o documento decide o pedido. O item 4.2.3 do edital lista o que todo documento de comprovação precisa ter, e a reaplicação por doença usa a mesma exigência (item 13.1.1.1, que remete ao 4.2.3): nome completo do participante; diagnóstico com a descrição da condição ou o código da Classificação Internacional de Doenças (CID 10/11); assinatura e identificação do profissional responsável, com registro no Conselho Regional de Medicina (CRM), no Ministério da Saúde (RMS) ou em órgão competente equivalente.

Para a segunda chamada do Enem especificamente, o item 13.1.1.2 acrescenta mais um campo: o documento precisa conter uma data que contemple o dia de aplicação do Enem — ou seja, não adianta um atestado de uma semana antes sem cobrir a data da prova. Documento sem CRM, sem CID ou sem a data certa é motivo comum de indeferimento, e a solicitação não pode ser alterada depois de enviada (item 13.2.3).

Quando e onde pedir (e o que ainda não foi divulgado)

A segunda chamada do Enem só é pedida pela Página do Participante, a mesma onde você baixa o cartão de confirmação do Enem e consulta o local de prova. O pedido é feito no endereço enem.inep.gov.br/participante, dentro do período que o Inep divulga separadamente (item 13.2). Solicitação fora desse endereço ou fora do prazo não é aceita (item 13.2.1), e o Inep não se responsabiliza por falha técnica, queda de conexão ou problema de senha no Portal Gov.br durante o envio (item 13.4) — a responsabilidade de acompanhar o pedido é do participante.

Vale reler o item 13.2.2 com atenção a quem foi afetado só no primeiro dia: a regra não permite pedir a reaplicação do primeiro dia sem antes comparecer ao segundo. Ou seja, faltar aos dois dias por causa de um problema que só afetou o primeiro não é o caminho previsto — o participante precisa se apresentar no segundo dia de qualquer forma para manter o direito de solicitar a reaplicação da parte perdida.

O Edital nº 64/2026 não fixa nem o período de solicitação nem a data da prova de reaplicação: diz apenas “em data a ser divulgada pelo Inep” (itens 13.2 e 13.7). Antes de confiar numa data da segunda chamada do Enem vista na internet, confira se ela é do Enem 2026 e se aparece em canal oficial do Inep. Data de edição anterior ou de outro exame não vale.

O que a segunda chamada do Enem não garante

Três limites que pegam gente de surpresa:

  1. Uma chance só. A segunda chamada do Enem não tem terceira chamada. O item 13.7 é direto: existe apenas uma reaplicação do Exame. Não há uma terceira data se o candidato também perder essa.
  2. A nota antiga é descartada. Pelo item 15.12, quem faz a aplicação regular e depois a reaplicação tem o resultado final calculado só com base no desempenho da reaplicação — mesmo que a nota do dia normal tivesse sido melhor.
  3. Acessibilidade reduzida. O item 13.6 tira da reaplicação a videoprova em Libras e o leitor de tela, mesmo que pedidos na inscrição original; entram no lugar tradutor-intérprete de Libras, auxílio para leitura e prova impressa.

E um ponto que fecha a porta de vez: quem sentir indisposição durante a prova, sair da sala e não conseguir voltar, não tem direito a pedir reaplicação por esse motivo (item 13.5). A reaplicação é para quem não conseguiu comparecer ou não conseguiu concluir por prejuízo comprovado antes ou durante a aplicação — não para quem começou a prova e decidiu parar.

Reaplicação não é a mesma coisa que atendimento especializado por acidente

O edital tem um instrumento parecido, mas para outro momento: o atendimento especializado por caso fortuito, do item 4.12. Ele serve para quem sofre um acidente ou passa a precisar de um recurso de acessibilidade depois do período normal de inscrição — entre 6 de julho e 12 de outubro de 2026, segundo o item 4.12. O Inep analisa a disponibilidade e, se não conseguir oferecer o recurso pedido, o próprio item 4.12.3 prevê que o participante pode migrar para a reaplicação.

Na prática, são portas diferentes, e só uma delas é a segunda chamada do Enem: caso fortuito ajusta a estrutura da prova para quem vai comparecer com uma nova necessidade; reaplicação é para quem não vai conseguir comparecer ou concluir por doença da lista ou falha logística. Confundir os dois é comum, porque as duas dependem do mesmo tipo de documento (item 4.2.3) e da mesma Página do Participante para solicitar.

O que fazer enquanto a data da segunda chamada do Enem não sai

Como o Inep ainda não divulgou o período de solicitação nem a data da prova de reaplicação 2026, a única ação útil agora é preparar o documento antes de precisar dele. Quem já sabe que tem uma condição recorrente — uma doença crônica que pode reativar, por exemplo — pode conversar com o profissional de saúde sobre como registrar diagnóstico e CID de forma clara, para não perder tempo revisando o documento em cima da hora, se o caso acontecer perto da prova.

Quem se prepara para o ano seguinte encontra o calendário previsto em data da prova do Enem 2027. Para 2026, a verificação do período de solicitação e da data da reaplicação deve ser feita direto na Página do Participante ou nos canais oficiais do Inep, nunca por data replicada de outro exame ou de uma edição anterior do Enem — o próprio edital deste ano fixa a data em “a ser divulgada”, o que significa que qualquer calendário anunciado antes disso é, na melhor das hipóteses, uma estimativa não oficial.

Perguntas frequentes

Posso pedir a segunda chamada do Enem só por estar muito nervoso ou passar mal sem atestado?

Não. O edital cobre só duas hipóteses: doença infectocontagiosa de uma lista fechada (item 13.1.1) ou problema logístico comprovado (item 13.1), sempre com documento. Quem sai da sala por indisposição e não consegue voltar também não tem direito à reaplicação por esse motivo (item 13.5).

Quantas vezes posso pedir a segunda chamada do Enem?

Só uma. O item 13.7 do Edital nº 64/2026 é direto: haverá apenas uma reaplicação do Exame, em data a ser divulgada pelo Inep. Não existe uma terceira chance.

Se eu fizer a prova normal e depois a reaplicação, qual nota vale?

Só a da reaplicação. O item 15.12 do edital determina que quem realiza a aplicação e a reaplicação tem o resultado final calculado com base no desempenho da reaplicação, e a nota da aplicação regular é descartada — mesmo que tenha sido melhor.

Os recursos de acessibilidade que pedi na inscrição valem na reaplicação?

Não integralmente. O item 13.6 diz que a videoprova em Libras e o leitor de tela não são fornecidos na reaplicação, mesmo que tenham sido solicitados na inscrição. O Inep oferece, no lugar, tradutor-intérprete de Libras, auxílio para leitura e prova impressa.

Já foi divulgada a data da segunda chamada do Enem 2026?

O Edital nº 64/2026 não traz essa data: o período de solicitação e a prova de reaplicação estão como “a ser divulgada pelo Inep” (itens 13.2 e 13.7). Confira na Página do Participante e nos canais oficiais do Inep, e desconfie de data sem fonte ou de edição anterior.

O que precisa ter no atestado médico para pedir reaplicação por doença?

Segundo o item 4.2.3 do edital: nome completo do participante, diagnóstico com descrição da condição ou o código da CID 10/11, e assinatura e identificação do profissional com registro no CRM, no RMS ou em órgão competente. Para a reaplicação, o item 13.1.1.2 exige também que o documento contenha uma data que cubra o dia de aplicação do Enem.

O que acontece se o pedido de reaplicação for negado?

O edital não prevê um recurso específico contra a reprovação do pedido de reaplicação — a aprovação ou reprovação é consultada diretamente na Página do Participante (item 13.3) e não há outro canal descrito no item 13 para contestar essa decisão.

Perdi o início da prova por atraso do ônibus ou trânsito: isso conta como problema logístico?

Não. O item 13.1 trata de problemas na aplicação, com exemplos como desastre natural que comprometa o local, falta de energia que prejudique a visibilidade da prova e erro no procedimento de aplicação com prejuízo comprovado. Atraso no trajeto até o local não é problema da aplicação, e os portões fecham às 13h (item 9.1).

Conclusão

A segunda chamada do Enem existe, mas não é a porta ampla que o nome popular sugere. É uma porta estreita, com duas hipóteses fechadas, documento com campo obrigatório e uma única chance. Quem se enquadra numa doença da lista ou num problema logístico comprovado na aplicação precisa guardar o comprovante certo, esperar o Inep abrir o período de solicitação pela Página do Participante e acompanhar o resultado por lá mesmo — sem contar com prazo que a internet divulga antes da hora.

Conteúdo produzido pela Equipe Tucano Aprova com apoio de IA e curadoria humana. Fontes oficiais verificadas em 25/09/2026: MEC Normas — Edital nº 64, de 21 de maio de 2026, Inep — Perguntas frequentes do Enem, Inep — Provas e gabaritos do Enem.