Resumo rápido:

  • Não existe modelo oficial de redação do Enem. O Inep define o gênero (dissertativo-argumentativo em prosa) e as cinco competências, não um molde de parágrafo.
  • O modelo de redação do Enem mais usado tem quatro parágrafos: introdução com tese, dois de desenvolvimento e conclusão com proposta de intervenção.
  • Um modelo serve pra você imitar a função de cada parte, não pra decorar frases prontas.
  • A folha tem 30 linhas. Texto com até 7 linhas escritas recebe nota zero. Um modelo equilibrado ocupa de 25 a 30 linhas.
  • Copiar trechos dos textos motivadores sem desenvolver, ou decorar uma redação inteira, custa ponto nas competências 1 e 3.

Um modelo de redação do Enem é um texto de referência que mostra, na prática, o que entra em cada parágrafo e como as ideias se encaixam. O modelo de redação do Enem reduz o tempo que você gasta pensando na forma e libera energia pros argumentos. Este guia traz um modelo completo comentado parte por parte, o mesmo modelo reduzido a um esqueleto em branco, um segundo exemplo em outro tema e um aviso importante sobre onde o uso de modelo vira cópia e derruba nota.

A referência oficial pra tudo o que vem abaixo é a cartilha A Redação no Enem, publicada pelo Inep, que descreve as cinco competências e traz redações nota 1000 de edições anteriores.

O que é um modelo de redação do Enem e para que ele serve

Modelo de redação do Enem é um texto pronto que você estuda pra entender a estrutura, o ritmo e o encaixe entre repertório e argumento. Ele não é uma regra do Inep. É uma convenção que se firmou porque atende bem às cinco competências dentro do limite de 30 linhas.

A diferença entre modelo e estrutura da redação do Enem é simples. A estrutura descreve a função de cada parágrafo. O modelo é essa estrutura já preenchida com frases de exemplo que você observa e imita. Um serve pra compreender, o outro pra treinar.

O modelo funciona quando você usa pra três coisas: ver a ordem das partes, perceber quantas linhas cada parágrafo costuma ocupar e reparar em como a análise aparece logo depois do repertório. Ele deixa de funcionar quando você tenta guardar as frases na memória pra reproduzir no dia da prova, porque tema decorado quase nunca encaixa no tema real.

Modelo de redação do Enem comentado parágrafo a parágrafo

Abaixo está um modelo que a Equipe Tucano Aprova escreveu pra este guia, seguindo a estrutura de quatro parágrafos e os critérios da cartilha do Inep. Não é a redação de um participante real. É um texto de referência, construído pra mostrar cada função no lugar certo. O tema usado caiu no Enem 2023: os desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil.

Mãos de estudante marcando trechos de uma redação impressa com marca-texto numa mesa de biblioteca
Ler um modelo com marca-texto na mão, separando repertório de análise, rende mais do que só passar o olho.

Introdução

A Constituição Federal de 1988 estabelece a igualdade entre homens e mulheres como direito fundamental. Na rotina brasileira, porém, cuidar da casa, das crianças e dos idosos ainda recai sobre as mulheres sem reconhecimento social nem econômico. Essa invisibilidade se sustenta por dois fatores: a herança cultural que trata o cuidado como função feminina e a ausência de políticas públicas que dividam essa carga. Diante disso, é necessário analisar cada um desses obstáculos.

O que esse parágrafo faz: a primeira frase traz um repertório de abertura (um artigo da Constituição) que situa o tema num contexto maior. A segunda liga esse repertório ao problema específico da prova e mostra que ele persiste. A última frase é a tese, e ela anuncia os dois argumentos que serão desenvolvidos: a herança cultural e a falta de política pública. O corretor termina a introdução já sabendo pra onde o texto vai, o que ajuda na competência 3.

Primeiro parágrafo de desenvolvimento

Em primeiro lugar, a construção histórica dos papéis de gênero explica por que o cuidado segue à margem. A pensadora Silvia Federici mostra como o trabalho doméstico foi tratado, ao longo da industrialização, como dom natural da mulher, e não como trabalho, o que dispensou remuneração e divisão. No Brasil, essa lógica reaparece quando se espera que a filha, e não o filho, interrompa os estudos para cuidar de um parente doente. Assim, a naturalização cultural transforma uma escolha social em suposto destino biológico e mantém o tema fora do debate público.

O que esse parágrafo faz: abre com um tópico frasal que anuncia o aspecto discutido (a construção histórica dos papéis de gênero). Traz um repertório pertinente (Federici e o trabalho doméstico não remunerado). Em seguida vêm as frases de análise, que explicam como esse repertório prova o argumento, com um exemplo brasileiro concreto. Fecha amarrando a ideia. É a análise depois do repertório que garante os 200 na competência 3, e é justamente ela que a maioria pula.

Segundo parágrafo de desenvolvimento

Além da cultura, a lacuna de políticas públicas aprofunda o problema. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, indicam que as mulheres dedicam quase o dobro de horas semanais aos afazeres domésticos em comparação aos homens. Sem creches em tempo integral, sem licença parental equilibrada e sem serviços de apoio a famílias com idosos dependentes, essa diferença de horas vira menos tempo de estudo, de trabalho remunerado e de descanso. O Estado, ao não oferecer essa estrutura, empurra pra dentro de casa uma responsabilidade que deveria ser coletiva.

O que esse parágrafo faz: começa com um conector que marca a mudança de ideia (além da cultura) e um novo tópico frasal. Usa um repertório diferente do primeiro parágrafo (um dado da PNAD, do IBGE), como manda a competência 2, que penaliza repetir a mesma referência. A análise conecta o dado à desigualdade de oportunidade. O fecho prepara a conclusão, apontando pra quem deveria agir.

Conclusão com proposta de intervenção

Portanto, enfrentar a invisibilidade do trabalho de cuidado exige agir sobre a cultura e sobre a estrutura. O Ministério da Educação, em parceria com as redes estaduais, deve incluir nos currículos do ensino fundamental e médio projetos sobre divisão igualitária de tarefas domésticas, por meio de oficinas e materiais didáticos, a fim de desnaturalizar o cuidado como função feminina desde cedo. Ao poder público municipal cabe ampliar a oferta de creches e de centros-dia para idosos, medida que devolve tempo às cuidadoras e trata o cuidado como política pública, não como sacrifício privado.

O que esse parágrafo faz: retoma a tese e traz a proposta de intervenção com os cinco elementos. Agente: o Ministério da Educação e o poder público municipal. Ação: incluir projetos no currículo e ampliar creches. Meio: oficinas, materiais didáticos, parceria com as redes estaduais. Finalidade: desnaturalizar o cuidado e devolver tempo às cuidadoras. Detalhamento: a parceria com as redes estaduais e a menção aos centros-dia aprofundam o agente e a ação. A proposta conversa com os dois argumentos do texto, o que a competência 5 exige. O guia da proposta de intervenção detalha cada elemento.

O esqueleto em branco pra treinar com qualquer tema

Esse é o modelo de redação do Enem acima reduzido a um molde. Copie, cole num caderno e preencha com o tema que você estiver treinando. Depois de cinco ou seis redações, ele deixa de ser muleta e vira automático.

Mão preenchendo um caderno dividido em quatro blocos de parágrafo sobre a mesa de uma cozinha ao fim da tarde
Preencher o mesmo esqueleto com temas diferentes fixa a estrutura sem precisar decorar texto.
  1. Introdução (4 a 6 linhas): [repertório de abertura: um artigo de lei, um dado histórico, um conceito de um pensador ou um objetivo da ONU]. [ligação do repertório ao tema da prova, mostrando que o problema continua]. Diante disso, é necessário analisar [argumento 1] e [argumento 2].
  2. Desenvolvimento 1 (6 a 8 linhas): Em primeiro lugar, [tópico frasal sobre o argumento 1]. [repertório ligado ao tema]. [duas ou três frases de análise explicando como o repertório sustenta o argumento]. [frase de fecho].
  3. Desenvolvimento 2 (6 a 8 linhas): [conector de adição, como “além disso” ou “soma-se a isso”] + [tópico frasal sobre o argumento 2]. [repertório diferente do primeiro parágrafo]. [análise]. [frase de fecho que prepara a conclusão].
  4. Conclusão (5 a 7 linhas): Portanto, [retomada da tese]. [agente] deve [ação], por meio de [meio], a fim de [finalidade]. [detalhamento que aprofunda um dos elementos anteriores].

Repare que esse esqueleto do modelo de redação do Enem não guarda nenhuma frase pronta. Ele guarda a ordem das funções. É isso que você deve levar pra prova na memória, não o texto do exemplo.

O mesmo modelo aplicado a outro tema

Pra deixar claro que o modelo de redação do Enem não depende do assunto, veja a introdução e a conclusão do mesmo modelo aplicadas a outro tema real, o de 2019: a democratização do acesso ao cinema no Brasil.

Introdução: “A Declaração Universal dos Direitos Humanos reconhece o acesso à vida cultural como direito de todos. No Brasil, porém, a distribuição de salas de cinema se concentra em shoppings de grandes cidades, o que deixa de fora a população de baixa renda e a de municípios pequenos. Essa exclusão se explica pelo custo do ingresso e pela ausência de circuitos públicos de exibição. Diante disso, é necessário analisar cada um desses fatores.”

Conclusão: “Portanto, democratizar o acesso ao cinema no Brasil depende de baratear a experiência e de levá-la a mais territórios. O Ministério da Cultura, junto às prefeituras, deve criar circuitos itinerantes de exibição gratuita em praças e escolas, por meio de editais de fomento e parcerias com distribuidoras, a fim de alcançar quem hoje mora longe de qualquer sala. A medida pode priorizar cidades sem cinema e sessões com acessibilidade para pessoas com deficiência.”

As frases mudaram por completo. A ordem das funções, não. Repertório de abertura, ligação ao tema, tese com dois argumentos na introdução; retomada, proposta com cinco elementos e detalhamento na conclusão.

Como usar um modelo sem cair em cópia

O modelo de redação do Enem ajuda, mas tem um limite claro. Passar dele vira cópia, e cópia custa ponto.

Modelo de redação

O que aproveitar de um modelo e o que não copiar

Aproveite do modelo

  • A ordem das funções: repertório, análise, tese e proposta
  • A proporção entre os parágrafos, com introdução e conclusão mais curtas
  • O hábito de escrever a análise logo depois do repertório
  • O tamanho de referência, de 25 a 30 linhas

Não copie

  • Frases de efeito decoradas para a abertura
  • Trechos dos textos motivadores da prova
  • A proposta de intervenção pronta de outro texto
  • Um repertório coringa que não conversa com o tema
  • Não copie trechos dos textos motivadores da prova. A cartilha do Inep trata a cópia de fragmentos dos textos de apoio, sem desenvolvimento próprio, como ausência de projeto de texto. Esse trecho copiado é descontado da contagem e pesa contra as competências 1 e 3.
  • Não decore uma redação inteira pra reescrever no dia. O tema real quase nunca encaixa. O resultado costuma ser um texto que fala pouco do que a prova pediu, com repertório genérico e proposta que resolve outro problema. Isso derruba as competências 2 e 5.
  • Copie a estrutura, não as frases. O que você leva do modelo é a sequência de funções: onde entra repertório, onde entra análise, onde entra a tese, onde entra o detalhamento. As palavras são sempre suas.
  • Monte seu próprio material. Em vez de guardar frases de efeito, monte um banco de repertório sociocultural com oito a dez referências que servem pra muitos temas, e treine conectar cada uma a assuntos diferentes.
  • Escreva à mão e cronometrado. O modelo só vira seu quando você preenche o esqueleto sozinho, com tema novo, dentro dos cerca de 60 minutos que a redação costuma ocupar no dia da prova.

Erros de quem segue um modelo de redação

Estes são os deslizes mais comuns de quem estuda por modelo e não percebe que passou do ponto:

  • Evite decorar frases de efeito prontas pra abrir a introdução. Faça memorizar só a ordem das funções e escrever a abertura na hora, a partir do repertório que o tema pede.
  • Evite forçar um repertório coringa que não conversa com o tema só porque ele estava no modelo. Faça escolher o repertório pela pertinência, mesmo que seja mais simples.
  • Evite reaproveitar a proposta de intervenção de um modelo. Faça desenhar agente, ação, meio, finalidade e detalhamento específicos pro problema daquela prova.
  • Evite manter a proporção do exemplo quando ela não cabe. Faça respeitar o equilíbrio entre os parágrafos: introdução e conclusão mais curtas, desenvolvimentos um pouco maiores.
  • Evite escrever menos de 8 linhas por achar que o modelo foi cumprido. Faça ocupar de 25 a 30 linhas, porque texto curto costuma indicar argumento não desenvolvido, e até 7 linhas é nota zero.

A lista completa das situações que zeram a prova está em os erros que zeram a redação do Enem.

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Perguntas frequentes

Existe um modelo oficial de redação do Enem?

Não. O Inep define o gênero, que é o texto dissertativo-argumentativo em prosa, e as cinco competências de correção. Não há um molde oficial de parágrafo. O modelo de quatro parágrafos é uma convenção que se firmou porque atende bem a esses critérios dentro do limite de 30 linhas.

Posso decorar uma redação pronta e adaptar no dia da prova?

É arriscado. A frase decorada quase nunca encaixa no tema real e soa deslocada, o que prejudica as competências 2 e 5. Além disso, copiar trechos dos textos motivadores sem desenvolvimento é penalizado. O certo é decorar a ordem das funções, não o texto.

Quantas linhas o modelo de redação do Enem deve ter?

A folha oficial tem 30 linhas. Um texto com até 7 linhas escritas recebe nota zero. Na prática, um modelo equilibrado ocupa de 25 a 30 linhas, com cerca de 6 a 8 linhas por parágrafo.

Qual a diferença entre modelo e estrutura da redação do Enem?

A estrutura descreve a função de cada parágrafo. O modelo é essa estrutura já preenchida com frases de exemplo que você observa e imita. A estrutura serve pra entender, o modelo serve pra treinar.

Preciso usar repertório famoso no modelo de redação?

Não. A competência 2 avalia se o repertório é pertinente ao tema e usado com função no argumento, não se ele é conhecido. Uma referência simples, bem conectada e explicada, pontua mais do que uma citação de efeito jogada sem análise.

Conclusão

Resumo do que você viu:

  • O modelo de redação do Enem tem quatro parágrafos: introdução com tese, dois desenvolvimentos com repertório e análise, conclusão com proposta de intervenção completa.
  • O valor do modelo está na ordem das funções, não nas frases, que precisam ser sempre suas.
  • Copiar trecho dos textos motivadores ou decorar redação inteira custa ponto nas competências 1, 2, 3 e 5.

Resposta definitiva: um modelo de redação do Enem é um texto de referência em quatro parágrafos que mostra onde entra o repertório, onde entra a análise, onde entra a tese e onde entra a proposta de intervenção. Segundo a cartilha do Inep, o texto vai de no mínimo 8 linhas escritas a no máximo 30, e a proposta de intervenção precisa dos cinco elementos. Pra você, a melhor forma de usar o modelo é preencher o esqueleto em branco com temas diferentes, à mão e cronometrado, até a estrutura virar automática.

Próximo passo: pegue um tema de uma prova antiga, copie o esqueleto deste guia e escreva uma redação hoje em 60 minutos. Depois releia cinco vezes, uma por competência.

Leia também:

Fonte oficial: A Redação no Enem — Inep

Conteúdo produzido pela Equipe Tucano Aprova, com apoio de IA e curadoria humana sobre as fontes oficiais citadas acima.